Pintando Bem
O vermelho escorrendo pela mão erguida
diante do Memorial da América Latina denuncia: até mesmo
os arquitetos apaixonados pela naturalidade do concreto se
rendem ao uso das tintas. Construído no bairro da Barra Funda, em São
Paulo/SP, o Memorial destaca-se pelo branco e o cinza de sua estrutura,
comuns nas obras que Niemeyer assina em todo o mundo: de Brasília a
Paris. Porém, a cor existe em seu trabalho. Sobretudo a vermelha, sua
predileta, que está presente no Teatro Estadual Maestro Francisco Paulo
Russo, o “Teatro de Araras”, e no Museu do Homem e do Universo,
erguido em Brasília/DF. Este último, aliás, identificado por cinco grandes
cúpulas, representando cinco seções: Big Bang, em vermelho; o Universo
e o Cosmos, em verde; Fogo e Vulcões, em azul;Terra e Mar, em laranja;
e o Homem, em amarelo.
Para obras construídas na década de 80 e 90, Niemeyer encontrou tintas
e cores adequadas para marcar seus simbolismos arquitetônicos.
Imagine, então, o que podem fazer as atuais gerações de arquitetos.
Podem usufruir das cores com muito mais presença de espírito. Que
nos perdoe Niemeyer, o poeta da arquitetura, mas tintas são obrigatórias
em todos os ambientes, internos ou externos. Até mesmo em suas estruturas de concreto, cuja
superfícies necessitam da proteção
de uma tinta transparente. Além
disso, o desenvolvimento do sistema
tintométrico eliminou qualquer
desculpa sobre as dificuldades
de se encontrar a tonalidade
exata.
Fidelidade em
vendas
A arquiteta Adriana Tupinambá faz
parte de um grupo jovem de profissionais.
Formada há 10 anos, ela
mantém uma afinidade com o
produto brasileiro que, em sua
opinião, tem excelente qualidade:
“Visitei uma fábrica e fiquei encantada
com as tecnologias disponíveis”,
acrescentou.
Adriana observou que as lojas
de material de construção, assim
como os fabricantes, passaram a
ser seus aliados e perceberam a fidelidade
e assiduidade do arquiteto.
O nível de atendimento e de
informações também melhorou
muito e, conforme frisou, há revendas
com atendimento focado
nas necessidades do profissional.
Enquanto o vendedor preocupa-
se em vender ao arquiteto, este
atende ao usuário final. Portanto,
as responsabilidades entre ambos
se equilibram, o que induz o
arquiteto a preferir produtos mais
práticos, que aceitam limpeza
constante e demonstrem resistência
e durabilidade. “Sinceramente,
não ficamos atentos às questões
políticas ou ambientes. Nosso foco
é o produto, sua manutenção e
reação. E a indústria brasileira nos
atende plenamente”, explica
A Associação Brasileira dos
Fabricantes de Tintas-Abrafati
compactua com as opiniões de
Adriana Tupinambá. De acordo
com o presidente da entidade,
Dílson Ferreira, “a indústria de tintas
nacional evoluiu, e muito, nos
últimos anos, capacitando-se para
atender não só o mercado
nacional como também as exportações”.
Aspecto ambiental
Este é outro ponto importante
para a construção civil. Produtos e
processos químicos mais seguros
e ambientalmente limpos são uma
das fortes tendências em todo o
mundo. E atinge também a indústria
brasileira. Não só nos processos
de fabricação mais conscientes.
As tintas imobiliárias oferecem
redução de custos e menos desperdício
do material, somados à
redução nos resíduos.
Os principais avanços atingem a
produção de tintas base-água, que
eliminam o uso de solventes, trazendo
ganhos ambientais.“Entre as
inovações mais recentes, temos as tintas com fragrâncias, as tintas
magnetizadas, os diversos tipos de
texturas e o desenvolvimento de
produtos para ambientes e utilizações
mais específicas, como tintas
para telhados, azulejos, pisos, madeiras
em geral e decks de piscinas”,
enumera Ferreira.
A Sherwin Williams está investindo
em iniciativas que ofereçam
mais do que uma simples pintura.
Seu mais recente lançamento é o
Metalatex Repelente, a primeira
que repele o mosquito da dengue,
entre outros insetos domésticos.
Sua tecnologia foi desenvolvida no
Brasil, aplicando em sua formulação
aditivos naturais. De acordo
com o vice-presidente e gerente geral,
Mark Pitt,a tinta não tem propriedades
inseticidas ou pesticidas. Sua eficiência
age contra os insetos comuns, apenas
como um repelente.
A empresa buscou na natureza
produtos que garantissem o fator
de repelência, evitando agressões
ao meio ambiente, mas com garantida
eficiência. De acordo com
a gerente de produto da empresa,
Patrícia Fecci, hoje as tintas incluem
outros diferenciais aliados à
beleza e à durabilidade. Para o
Metalatex Repelente, a Sherwin
Williams agregou ainda um acabamento
acetinado, baixos odores e
facilidades de aplicação. “Para obter
ação repelente, esse produto
exige duas demãos e, em um ano,
há uma redução do efeito, necessitando
uma nova aplicação”, explica
Patrícia.
O gerente do Laboratório de
Desenvolvimento da Tintas Coral,
Mateo Lazzarin, destaca que o setor
apresenta muitos avanços entre
os polímeros. Em resumo, as
resinas, principal componente das
tintas para dar brilho, resistência e
facilidade de limpeza, contribuem
na qualidade do produto final. Os
aditivos responsáveis por algumas
características especiais também
mudaram, evitando problemas colaterais.
Mateo defende que, na grande
maioria dos casos, as necessidades
do consumidor e a preocupação
com o meio ambiente respondem
pelas mudanças e inovações. Para
ele, é subjetivo aplicar valores aos
graus de evolução alcançados, mas
admite que os atuais produtos são
mais versáteis e resistentes, em
comparação há 20 anos. A Coral,
avançando na área dos biocidas,
lançou a versão Teto de Banheiro,
que pode ser aplicada diretamente
sobre superfícies com mofo e dura
cinco vezes mais do que as tintas
comuns, e o Coralatex Nova
Fórmula Turbo, que garante 20%
de rendimento e diluição de até
50%, sem perder o poder de cobertura.
Paralelamente, a Tintas Coral usa
embalagens PET na composição de
matérias-primas. Tal procedimento
afirma seu compromisso de associar
o respeito ao meio ambiente.
Em três anos, a companhia usou
cerca de 35 milhões de garrafas
recicláveis PET, evitando que esse
volume fosse jogado na natureza.
Qualidade de vida
O coordenador de Serviços ao
Mercado da Suvinil, Kleber Tammerik,
ressalta que as características
de aplicação e resistência dos
produtos chamados inovadores
são iguais ou, em alguns momentos,
até superiores aos convencionais.
A empresa adota materiais
reciclados como parte da composição
das matérias-primas.
A evolução tecnológica permitiu
que os esmaltes e vernizes da marca Suvinil usem cinco garrafas
vazias de PET em sua composição.
Portanto, deixa de poluir o meio
ambiente, trazendo vantagens ao
consumidor. O Esmalte Seca
Rápido, para madeiras e metais,
usa água como diluente e tem
secagem mais rápida, em comparação
aos esmaltes convencionais.
“No caso dos esmaltes com
resina PET, a resistência ao acabamento
aumentou e reduziramse
as tendências de amarelecimento
das cores brancas, característica
comum em todos os esmaltes
à base de solvente”, explica
o coordenador da Suvinil.
É um produto com baixo odor,
adere diretamente ao alumínio,
PVC e galvanizados, seca muito
mais rápido e ainda usa água para
diluição e limpeza das ferramentas.
Em 2007, a Suvinil prevê um investimento
de R$ 50 milhões, dirigidos
para propaganda e promoção,
materiais de PDV, treinamentos,
eventos e programa de relacionamento
Clube Amigo Suvinil.
É um trabalho pulverizado, para
atingir diversos públicos: consumidores,
revendedores, balconistas,
pintores, arquitetos e decoradores.
Para fomentar o mercado e
gerar demanda, a marca Suvinil está
em evidências nas mídias de todo
o Brasil. De acordo com Miriam
Zanchetta, gerente de Propaganda
e Promoção, o objetivo é
transformar a tinta em um bem de
consumo, fazendo com que deixe
de ser somente um “material de
construção”. Focada num conceito
de renovação, as campanhas mostram
o quanto as cores proporcionam
bem-estar e qualidade de vida.
Up grades
Outro importante avanço do segmento
aconteceu com o lançamento
do sistema tintométrico.
Segundo o consultor técnico da
Abrafati, Jorge Fazenda, a novidade
ampliou o leque de cores, criando
um número ilimitado de opções,
reproduzindo os vários tons com
fidelidade. E o consumidor ainda
conta com as cores catalogadas e
prontas, que chegam a 2.000 itens.
Fazenda ressalta que a indústria
atingiu um alto nível de modernização,
mas lembra que as tintas
em si não mudaram tanto.“Hoje, o
que temos são up grades de produtos
já existentes. Nossa indústria
trabalha muito nisso, e cada
vez mais temos maior rendimento,
resistência às intempéries, facilidade
de limpeza. Ou seja, os produtos
cada vez mais simplificam o
processo de pintura, recobrem superfícies
em mau estado, eliminando
etapas de tratamento e, mais
do que isso, se preocupam em
usar matérias-primas que não prejudicam
o meio ambiente”, analisa.
Cerca de 80% dos produtos
encontrados nas lojas são com base-
água e se diluem em água.
“Além de se tornarem menos
agressivos, continuam resistentes e
diminuem a presença de material
volátil nas superfícies”, completa,
lembrando que já encontramos,
também, produtos sem uso de
chumbo, material que antes era
necessário na composição de determinadas
cores.
Mangas
arregaçadas
No entanto, o sucesso do sistema
de pintura está totalmente atrelado
à qualidade da venda e das informações
prestadas pelo lojista.
Luis Ferrari, presidente da Associação
dos Revendedores
de Tintas de São Paulo-
Artesp, acredita que o mercado
está mais aquecido, e o
atendimento passou a ser uma
prioridade ainda maior no
PDV, porque o consumidor
atual é mais exigente.
“Precisamos fazer mais do que
vender tintas. Precisamos adicionar
uma forma diferenciada de tratamento,
porque a tinta passou a ser
um produto também de decoração,
exigindo preparo para orientar
na escolha do produto e da
cor. O vendedor precisa estar
preparado para dar esse suporte”,
diz Ferrari.
Quando considerada dentro do
contexto da construção civil, as
tintas imobiliárias são baratas.
Publicado em 08 de outubro de 2007 por Equipe ConstrucaoTotal