O segmento de materiais de construção não conhece o segmento de materiais de construção


Em entrevista recente dada para o caderno de economia do O Globo, o sociólogo Jessé de Souza, recém empossado como presidente do IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas declarou que “O Brasil não conhece o Brasil, só faz de conta”.

O instituto por ele presidido tem fundamental participação no fornecimento de dados e leituras para assertividade das políticas públicas e de desenvolvimento social, possibilitando também para a iniciativa privada um amplo leque de reflexões sobre o mercado consumidor brasileiro.

E nós, conhecemos o mercado em que atuamos? Ou também estamos fazendo de conta?

Nesta entrevista, o sociólogo emenda: “A primeira perspectiva é o conhecimento estatístico dos grandes dados, mas, ao contrário do que muita gente pensa, os números não falam por si, precisam ser interpretados, é necessária a dimensão compreensiva, tem que ser enriquecidos por uma perspectiva muito mais difícil de ser percebida, que é como as pessoas pensam e interpretam o mundo...”

De fato, a despeito da confiabilidade dos dados gerados pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, como recenseamento da população (Censo) e dos valores monetários da produção final de bens e serviços (PIB), por exemplo, é fundamental o entendimento a partir de modelos sólidos das diversas dimensões comportamentais que se inserem dentro desse universo quantitativo.

De maneira análoga, sem essa complementação, seria o mesmo que dizer que um corpo prescinde de uma alma/psique e que para compreender um ser humano teríamos apenas de ter acesso aos seus dados fisiológicos.

Voltando para o segmento de materiais de construção, podemos afirmar que não existem, até hoje, métodos para conhecimento deste corpo, nem tampouco desta alma.

Há de se reconhecer a validade e respeitabilidade dos esforços individuais de grandes varejistas e indústrias, das associações e entidades representativas, como Anamaco e Abramat, consultorias especializadas em varejo e institutos de pesquisa, como o IBOPE, no entanto, mesmo com esse reconhecimento, estamos longe da unificação e validação mercadológica das variáveis comportamentais e de consumo de materiais de construção.

Mas algo está sendo feito nesse exato momento.

Uma equipe de pesquisadores está visitando diversos formatos de lojas de materiais de construção, de home centers a lojas de bairro, e simultaneamente, outra equipe, residências de famílias que estão reformando ou construindo, para entendimentos comportamentais dos canais e tendências de consumo das famílias, respectivamente.

No segundo semestre, teremos a segunda onda de um estudo atitudinal dos consumidores das classes A/B/C, para em dezembro, fechando o ano de trabalhos, entregarmos o dimensionamento dos gastos dos consumidores, a partir da coleta de dados primários tratados estatisticamente.

Quanto a efetividade destes dados, devidamente lidos, novamente recorremos ao presidente do IPEA : ”Para mim, a pesquisa só faz sentido se é aplicada, se melhora a vida das pessoas. Se não, é blá, blá, blá. Serve para enfeite, vaidade individual, mas não é ciência efetiva. A ciência existe para melhorar a vida das pessoas ou não merece esse nome”.

Assinamos embaixo.

Newton Guimarães
Inteligência de Mercado
newton.guimaraes@revenda.com.br

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