Talvez inteligência seja saber escutar
para melhorar as próprias indagações


Os números mentem menos do que as palavras, mas, atenção, como elas, também podem se sujeitar aos mais diversos propósitos, sendo direcionados pela fonte na formulação dos questionários, no perfil da amostra, métodos de coleta, interpretações dos dados (expressos por... palavras!) e mecanismos de divulgação.

Logo, não só por isso, mas também por isso, é sugerido para um exercício sistemático de inteligência de mercado abrir mão das certezas, que pertencem ao campo dos dogmas e obscurantismo, em nome das hipóteses, que nada mais são do que debates contínuos para elaborações de melhores indagações.

Ao fim, tendo como princípio constante a dúvida e a humildade inerente a ela, em contraposição às certezas – “eu sempre acreditei nisso” – e à arrogância inerente a elas, que talvez possamos implantar melhores planos de ações nos âmbitos pessoais, políticos e corporativos.

Levantada essa hipótese, propomos um olhar aos mais recentes números do IBGE, relativos à venda de produtos e serviços no primeiro semestre de 2015, fonte esta confiável, e propomos, também, abrirmos mão de nossas prevenções e convicções político-ideológicas, que, atualmente, mais nos conduzem à cegueira crítica do que à visão construtiva.

No artigo anterior, consideramos a possibilidade do segmento de materiais de construção se apoiar em três pilares: infraestrutura, construtora e varejo, procurando embasar em números a argumentação de que, nos próximos dois anos, o pilar mais forte será o varejo de materiais de construção.

Vamos adiante.

Dados da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, relativos ao primeiro semestre de 2015, apontam um encolhimento no volume de vendas do comércio de materiais de construção de 4,7%, quando comparado com o primeiro semestre de 2014. No relatório anterior, comparando o acumulado ano/maio de 2015 com o acumulado ano/maio de 2014, esse encolhimento era mais dramático: 5,7%.

Não obstante, o volume de vendas de junho comparado com maio deste ano apresentou um crescimento de 5,5%, o maior entre os dez grandes segmentos monitorados. Para que se tenha ideia do que isto significa, a segunda grande área de atividade em crescimento foi, no mesmo período comparativo, Artigos Farmacêuticos, Médicos, Ortopédicos e de Perfumaria, com apenas 0,3%.

Agora, vamos avaliar alguns números relativos à Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, mais precisamente, os subsegmentos Serviços de Alojamento e Alimentação e Transportes Aéreos.

Enquanto o primeiro, relativo fundamentalmente às hospedagens em hotéis e seus formatos similares e alimentação fora do lar, tem apresentado, mês a mês, quedas significativas no crescimento da receita nominal, quando comparada com o mesmo período do ano passado, a saber, 4,4% no acumulado ano abril de 2015 comparado com abril de 2014, 3,2% no acumulado ano maio de 2015 comparado com maio de 2014 e, por fim, 2,5%, no acumulado ano junho de 2015 comparado com junho de 2014; o segundo subsegmento, Transportes Aéreos, fundamentalmente impactado pela venda de passagens, fechou em -0,6, no acumulado ano junho de 2015 comparado com junho de 2014.

Há meses, temos discutido esses números com os patrocinadores, que já foram inclusive objeto de um artigo anterior de maio, intitulado Quem Fica em Casa, Repara, fundamentando hipóteses que propiciassem ajustes nos planos de ações comerciais e de marketing das empresas.

Mas, dentro dos indicadores conjunturais macroeconômicos, é necessária também a investigação sistemática das tendências, hábitos, atitudes e dimensões dos gastos dos principais personagens que se inserem dentro desses universos, razão de nossas existências corporativas: os consumidores de materiais de construção.

Ou, em outras palavras, como nos disse um comprador de uma loja de tintas: “... é tudo questão do balcão, o que manda é o balcão, o que eles (clientes) precisarem, a gente vai correr atrás.”

Nós, em nossas certezas e torres corporativas, teremos despojamento e humildade suficiente para admitir isso?

Se sim, é bom que saibamos como escutá-los.

Newton Guimarães

Inteligência de Mercado
/ GrupoRevenda
/ GrupoRevenda

newton.guimaraes@revenda.com.br


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