Um olhar além daquilo que já sabemos


Como relatamos na newsletter anterior, no último dia 09 de setembro estivemos reunidos com executivos dos patrocinadores e parceiros para apresentação e debate dos resultados do Estudo hábitos e atitudes dos consumidores com os canais, fornecedores e demais agentes influenciadores, apresentando dados inéditos sobre pesquisas e compras de materiais de construção, considerando a emergência da multicanalidade e premência da integração de todos os pontos de contato com os consumidores, tanto por parte da indústria, como do varejo.

Este estudo complementa um etnográfico com 18 famílias das classes A, B e C, Observatório comportamento omnichannel - consumidores reformando ou construindo, onde acompanhamos, na obra, os anseios, frustrações e gratificações dos consumidores, considerando fornecedores e varejistas.

Como cruzar as informações exclusivas, colhidas nesses estudos, com os dados secundários do IBGE?

Para isso, resgataremos superficialmente alguns pontos, apenas três, ascendência dos meios digitais, queda no consumo de serviços e mão de obra ociosa, pontos aprofundados e discutidos nos encontros de inteligência de mercado e workshops para as empresas interessadas.

É consenso que nosso segmento é sustentado fundamentalmente por três pilares: obras de infraestrutura, construtoras e varejo, sendo que, segundo dados de consultorias especializadas, IBGE e Secovi, esses dois primeiros enfrentam um momento de grande retração, com perspectivas reversivas somente para 2018.

O que nos leva ao varejo, objeto dos estudos.

Segundo a PMC – Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, o consumo de materiais de construção, na comparação acumulado/ano julho de 2015 com julho de 2014 encolheu 5% em volume de vendas, enquanto o varejo ampliado, que abarca todos os segmentos monitorados, encolheu 6,5%.

Em nossos acompanhamentos ainda não chegamos na curva de reversão destas quedas, mas, por outro lado, como vimos na newsletter anterior, a venda de materiais de construção e ferramentas nos e-commerces já aparece no ranking da consultoria e-bit, com 1% do sell out do canal de R$18,6 bilhões.

Está muito claro, quando olhamos com lupa estes consumidores, o quanto os meios digitais apoiam-nos para pesquisas, comparações e já algumas compras, muito maior em itens ligados a casa e decoração, mas, como se espera de qualquer curva de aprendizado, em desenvolvimento para materiais de acabamento.

Considerando que segundo dados da PMS – Pesquisa Mensal de Serviços, também do IBGE, o gasto com alimentação fora do lar, alojamento transitório e passagens aéreas, encontra-se em forte queda, logo, podemos levantar a hipótese de que os consumidores estão muito mais tempo dentro de suas casas e entorno e acessando a internet quando decorando, realizando obras ou simplesmente manutenção e reparos domésticos.

É obvio, que podemos aprofundar, e muito, essas hipóteses cruzando dados primários obtidos a respeito dos anseios, frustrações e gratificações, quando considerados e também cruzados, dados a respeito das experiências nas lojas físicas, e-commerces e sites dos fabricantes, estes últimos, os mais consultados durante o planejamento da obra.

Mas, vamos adiante para o terceiro ponto, desta feita nos apoiando na PNAD Contínua do IBGE, que, inequivocamente, aponta para o aumento na taxa de desocupação, sendo que o grupamento de atividade Construção apresentou uma queda de 8,5% de pessoas ocupadas no segundo trimestre de 2014, para 7,7% no segundo trimestre de 2015, disparadamente a maior queda entre os 10 grandes grupos monitorados.

É possível estimar aí, dependendo da fonte, um contingente superior a 500.000 e, no limite, de 700.000 trabalhadores ligados principalmente a obras de infraestrutura e construtoras civis, perdendo seus postos de trabalho até o final de 2015.

O que significa, que os tão propalados alto custo e escassez de mão de obra para reformas residenciais, construções e reparos domésticos dos últimos anos, podem estar em fase de reversão.

Como os diversos players do segmento poderão acolher esta multidão, partindo da premissa que uma parte estará disponível para obras residenciais?

Segundo os estudos realizados, os pedreiros continuam sendo os profissionais mais contratados, 71% o contratou em 2015 e 79% em 2014, no entanto, confirmando alguns dados anteriores, não são proporcionalmente os que detêm maior grau de influência para escolha das lojas e marcas de produtos, papel esse de destaque entre os pintores, com maior ascendência sobre a escolha da marca dos produtos, do que sobre a loja.

O fato é que, somente por essas poucas linhas, a despeito do atual cenário econômico restritivo e confuso, podemos identificar algumas oportunidades e delas tirar o melhor proveito, para expandir assertivamente nossas operações.

Basta olhar sistemática e pragmaticamente além da obviedade frustrante dos fatos cotidianos.



Newton Guimarães

Inteligência de Mercado
/ GrupoRevenda
/ GrupoRevenda

newton.guimaraes@revenda.com.br


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