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“Não é aquilo que você não sabe que lhe causa problemas, mas sim, aquilo que você tem certeza.”
Com a frase do escritor Mark Twain abrimos o artigo desta semana, pois desde a aprovação do processo de impeachment, pululam, aqui e ali, notícias de que a economia está melhorando e de que o pior da crise já passou.

Será?

Conceitualmente, existe um viés cognitivo chamado validação subjetiva, que visualiza correlações em fontes e eventos sem qualquer relação, apenas para confirmar hipóteses próprias e infundadas.

Esse processo cognitivo seleciona as fontes e eventos de acordo com essa conveniência, excluindo tudo o que não se encaixa num juízo preconcebido e, se cercando, confortavelmente, de tudo aquilo que confirma conceitos desejados e crenças arraigadas, independentemente da credibilidade.

Todos nós queremos que a economia reaja, então, vamos tentar examinar, com isenção, dados de fontes correlacionáveis e confiáveis, para cada qual tirar as próprias conclusões.

Segundo os relatórios mais recentes do IBGE, no acumulado primeiro quadrimestre de 2016 comparado com o acumulado primeiro quadrimestre de 2015, o índice da produção industrial caiu 10,5%. No fechamento comparativo acumulado 2015 com 2014 caiu 8,3%.

Já o comércio, no relatório comparativo mais recente, no acumulado do primeiro trimestre de 2016 com o acumulado do primeiro trimestre de 2015, encolheu, na comparação deflacionada, 9,4%. No fechamento comparativo acumulado 2015 com 2014, havia encolhido 8,6%. O comércio de materiais de construção está encolhendo 14,7%. No fechamento do comparativo acumulado 2015 com 2014, havia encolhido 8,4%.

Já a venda de serviços, no relatório comparativo mais recente, no acumulado primeiro trimestre de 2016 com o acumulado primeiro trimestre de 2015, encolheu, na comparação deflacionada, 5%. No fechamento do comparativo acumulado 2015 com 2014, havia encolhido 5,3%.

Em relação à comparação com os meses anteriores, a produção industrial teve índice de 0,1%; comércio em geral, decréscimo de 1,1%; comércio de materiais de construção, -0,3%. Não há dados comparativos com o mês anterior da venda de serviços.

Segundo o relatório mais recente do Ministério do Trabalho e Emprego, no primeiro quadrimestre de 2016, o estoque de trabalhadores celetistas ficou negativo em 378.481 postos de trabalho. No fechamento do ano passado, ficou negativo em 1.552.953 postos de trabalho.

Somente no segmento de construção civil o estoque negativo ficou em 57.797 postos de trabalho. No fechamento do ano passado ficou em -418.789 (séries com ajustes).

Por fim, a PNAD Contínua, cujos dados recentes e referentes ao trimestre móvel fevereiro, março e abril, apontaram para 11.411 milhões de pessoas desocupadas procurando trabalho, 2.338 milhões a mais, do que no início do ano. Somente a área de atividade construção teve uma perda de 502.000 mil pessoas ocupadas em 2016.

Esses dados são anteriores a aprovação do processo de impeachment, mas, devido a sua consistência e abrangência, serão lentamente impactados no longo prazo – esperamos, positivamente-, pela nova política econômica do atual governo, e, no curto prazo, pelo ânimo dos diversos agentes que compõem o cenário econômico.

E como estão esses ânimos?

Segundo pesquisas da Fundação Getúlio Vargas, o índice de confiança de maio, que já captou o estado emocional pós-impeachment, nos traz, sem viés, as melhores notícias deste artigo.

A confiança das indústrias cresceu pelo terceiro mês consecutivo, no comparativo com o mês anterior, atingindo, inclusive, o maior índice dos últimos treze meses. O comércio também cresceu e significativamente, atingindo o maior índice dos últimos dez meses. O setor de serviços também cresceu pelo terceiro mês consecutivo, atingindo o maior índice dos últimos nove meses. E, por fim, consumidores, que também cresceu significativamente, atingindo o maior índice dos últimos oito meses.

É possível mergulhar nos dados e encontrar correlações distintas e informações menos negativas, até mesmo alguns indicativos de oportunidades, mas, considerando-os em sua superfície, o que temos mesmo de explicitamente positivo é algo intangível e volátil: mais confiança.

O que, convenhamos, não basta para falarmos em ponto de inflexão, embora, nesses tempos difíceis, seja sim, um bom sinal.

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Newton Guimarães

Inteligência de Mercado
/ GrupoRevenda
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