Informe 334
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LAR É FORTALEZA
Com a Crise, 88,9% dos Consumidores Alegam Ficar Mais Tempo Dentro de Casa
DA PARTÍCULA
AO UNIVERSO MACROECONÔMICO


Um Olhar no Consumo dos
Materiais Inseridos Dentro
do Atual Cenário Econômico.
No novo estudo entregue pela Plataforma, em que 84,3% do total da amostra haviam paralisado momentaneamente a obra e 15,7% estavam dando continuidade normalmente, investigamos como se dariam os gastos futuros com essas mesmas obras, dentro do atual contexto econômico do país, independentemente delas estarem paralisadas ou em andamento.

Dos 900 entrevistados, distribuídos por doze praças, três classes sociais e faixas etárias, 51,5% alegaram que “por necessidade, vou reduzir meu orçamento na continuidade/retomada da obra”; 34,9% alegaram que “gastarei o que for justo para fazer, na continuidade da obra, o que tenho planejado”; e 13,6% alegaram que “sei que gastarei mais do que o planejado na continuidade da obra”.

A expectativa de redução dos gastos para continuidade ou retomada da obra é significativamente menor na classe A, com 42%; menor na classe B, com 46,8%; e maior na classe C, com 54,5%.

Podemos, então, concluir que o atual cenário econômico recessivo impacta diretamente os gastos com materiais de construção até mesmo para aqueles consumidores que já estão no meio da obra.

Inversamente, podemos também inferir que esta parcela poderia ser impactada positivamente pela imediata inflexão da crise, não mais reduzindo, ou até mesmo gastando mais do que o planejado.

Isso nos leva aos dados macroeconômicos das diversas fontes que monitoramos, justamente visando inserir dados primários dos estudos exclusivos em contextos mais abrangentes.

Vamos nos ater apenas a três pesquisas conjunturais referenciais, com indicativos relativos ao mês de maio: Pesquisa Industrial Mensal Produção Física, Pesquisa Mensal de Serviços e Pesquisa Mensal do Comércio, todas realizadas pelo IBGE.

Considerando a produção da categoria Indústria Geral, no comparativo maio com abril, não houve nem queda, nem crescimento, ficando em zero. É possível afirmar que há uma discreta tendência de estabilização, já que no mês anterior havia crescido 0,2% (abril comparado com março).

Já a produção da categoria Bens de Capital (equipamentos e instalações para produção de outros bens e serviços) cresceu 1,5%, quinto crescimento consecutivo, sempre considerando o mês anterior. É possível afirmar, com esses dados, que há uma tendência de retomada de investimentos das indústrias de bens de consumo.

Quanto aos serviços, considerando a categoria Serviços Prestados às Famílias, a subcategoria Outros Serviços Prestados às Famílias, que de maneira geral engloba o consumo de serviços correlacionados às diversas rotinas domésticas, no comparativo volume de vendas maio com abril, caiu 4,3%. Houve, portanto, um leve sinal de melhora, já que no mês anterior havia decrescido 5,5% (abril comparado com março).

Por fim, o comércio. Considerando sua totalidade, o Varejo Ampliado caiu 0,4%, no comparativo volume de vendas de maio com abril, melhorando em relação ao comparativo anterior, de -1,5% (abril comparado com março).

A categoria Material de Construção também caiu 0,4%, no comparativo volume de vendas maio com abril, porém melhorando significativamente em relação ao comparativo anterior, de -4,1% (abril comparado com março).

Seria interessante, nos casos acima, termos mais um comparativo, no caso março com fevereiro, no entanto, o efeito Carnaval impede uma leitura clara das tendências, sendo fundamental o monitoramento dos relatórios do próximo mês, junho comparado com maio, quando efeitos sazonais não contaminarão significativamente a série.

Mas, como vimos nestes dados, há sinais de que estamos parando de piorar, mas que esta inflexão tem se dado de maneira lenta e gradual, logo, qualquer mecanismo de reversão em curto prazo ainda estará intrinsecamente ligado a própria operação, minimizando perdas e, no caso dos consumidores de materiais de construção, convencendo-os a não reduzir seus gastos no segundo semestre deste ano.

Mesmo porque, com a progressão natural dos fatos políticos e econômicos, a partir do ano que vem, o universo voltará a conspirar a nosso favor.

A Plataforma é um sistema de compartilhamento de inteligência de mercado, cogerida por Leroy Merlin, Eucatex, Pincéis Atlas e Votorantim Cimentos, empresas empenhadas em melhor entender o segmento, contribuindo para sua profissionalização e desenvolvimento.


Newton Guimarães

Inteligência de Mercado
/ GrupoRevenda
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newton.guimaraes@revenda.com.br

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