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A luz no fim do túnel

Luz no fim do túnel
A construção civil brasileira está superando aos poucos o pessimismo imposto pela crise mundial, revelam os resultados da 39ª Sondagem Nacional da Indústria da Construção Civil, realizada em pelo SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) e pela FGV Projetos, com o apoio da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção). Foram entrevistados 241 empresários da construção de todo o País.
Tanto no estado de São Paulo quanto em nível nacional, a Sondagem notou menos pessimismo na avaliação do ambiente de negócios da construção como resposta a um conjunto de fatores, especialmente à série de medidas governamentais favoráveis ao setor. Mas é importante destacar que, apesar das boas expectativas, os números da Sondagem continuam influenciados pela crise na comparação anual.
A ação do governo no sentido de garantir capital de giro logo no início da crise se somou mais recentemente à desoneração de materiais e ao programa Minha Casa, Minha Vida. Também contribuiu para a melhoria do humor do empresariado o cenário macroeconômico observado a partir de abril.
O indicador de desempenho nacional avançou quase 10% entre fevereiro (data da última edição da Sondagem) e maio, refletindo um desempenho menos negativo das empresas no trimestre. Contudo, o indicador de desempenho atual das empresas da construção ainda está abaixo de 50, denotando um desempenho não favorável. No caso do estado de São Paulo, esse avanço foi ainda mais expressivo, chegando a quase 12%. Nos dois níveis, o comparativo com maio de 2008 ainda apresenta queda expressiva. Mas esse era um resultado esperado, uma vez que há um ano o setor estava em forte expansão.
A melhora mais expressiva foi registrada no item perspectivas de desempenho. Isso mostra que os empresários acreditam na aceleração da atividade econômica nos próximos meses. Mais uma vez, esse otimismo relativo foi maior em São Paulo do que na média nacional.
Os empresários relataram também melhora nos indicadores de dificuldades financeiras e de custos. No caso dos custos, é preciso relativizar a aparente piora observada na comparação trimestral, resultado que foi influenciado pelas negociações salariais que ocorreram no Estado de São Paulo. Por conta disso, a comparação anual é mais precisa e mostra forte evolução, resultado do recuo dos preços de materiais verificado nos últimos meses.
A Sondagem destaca ainda a avaliação dos empresários sobre o ambiente macroeconômico. A melhora foi resultado de um ajuste de expectativas que minorou o pessimismo excessivo registrado nas rodadas anteriores da pesquisa. Entre fevereiro e maio, melhorou muito a avaliação do setor quanto à política econômica e às perspectivas de inflação baixa. No caso dessa última variável, o avanço ocorreu também na comparação anual, com um pouco menos de otimismo no estado de São Paulo em relação à média nacional. As boas perspectivas com relação ao crescimento econômico avançaram, embora permaneçam no campo pessimista (abaixo do valor 50). Veja a seguir os números da 39ª Sondagem:
 
PIB da construção
A queda de 9,8% no PIB da construção civil do primeiro trimestre de 2009, calculada com base no declínio da produção dos materiais de construção (que de fato foi bastante acentuado), ainda não retrata a atividade das construtoras no período. ?Quando o IBGE calcular as outras variáveis ? o valor agregado gerado pelas construtoras e o consumo de materiais pelas famílias ?, certamente o desempenho do setor não terá sido tão negativo?, afirma o presidente do SindusCon-SP, Sergio Watanabe.
"Sabemos que no primeiro trimestre de 2009 o consumo de cimento teve até uma ligeira alta (+1,78%), na comparação com o mesmo trimestre de 2008. E as construtoras registraram mais atividade, uma vez que o nível de emprego do setor apresentou elevação de 10,25%, na mesma comparação. Portanto, podemos afirmar que, apesar da queda no consumo dos materiais de construção no varejo, a estimativa inicial apontada pelo IBGE ainda não reflete o desempenho do setor da construção como um todo no primeiro trimestre", diz o presidente do SindusCon-SP.
Segundo o IBGE, na comparação dos últimos quatro trimestres com os quatro trimestres imediatamente anteriores, o PIB da construção ainda apresenta uma variação positiva, de 3,4%.
Já a formação bruta de capital fixo, que mede a taxa de investimentos no País, registrou queda de 14%, segundo o IBGE. Para tanto, contribuíram a queda nos investimentos em máquinas e equipamentos (no caso da construção civil, as construtoras limitaram seus investimentos nesses produtos) e o declínio na atividade da indústria de materiais de construção.
Para projetar quanto será o desempenho do setor neste ano, o presidente do SindusCon-SP afirma que prefere esperar. "A atividade da construção civil está em alta como mostra o nível de emprego, tendo já recuperado parcialmente os postos de trabalho fechados no fim de 2008. Contudo, poderemos ter um novo hiato no emprego no segundo semestre, quando as obras em andamento estiverem concluídas e aquelas resultantes dos contratos assinados em 2009 ainda não tiverem começado."
Abramat indica crescimento
Em maio, o faturamento total deflacionado das vendas de materiais de construção no mercado interno, apresentou crescimento de 5,42% em relação a abril deste ano. Nos últimos 12 meses, houve crescimento de 0,78%. Na comparação com maio do ano passado, houve queda de 15,05%. No resultado acumulado desde Janeiro deste ano, houve queda de 16,10% em relação ao mesmo período do ano passado.
O número de funcionários da indústria de materiais de construção se manteve praticamente inalterado na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em relação ao mês de abril deste ano, houve uma queda de apenas 0,76%.
Ressalta-se que o faturamento das vendas internas ficou bem próximo do atingido nos meses de março deste ano e dezembro do ano passado. O resultado foi inferior ao atingido em maio do ano passado, pois naquele mês as vendas internas já apresentavam um acelerado ritmo de crescimento, interrompido em outubro, pela crise econômica.
BÁSICOS
O desempenho das vendas dos materiais básicos superou o atingido pelos materiais de acabamento na comparação com o mês anterior e no acumulado de 12 meses, e apresentou resultados inferiores no acumulado desde janeiro e na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Em maio, o faturamento deflacionado das vendas internas dos materiais básicos apresentou crescimento de 7,22% na comparação com o mês de abril deste ano. No acumulado de 12 meses, houve crescimento de 2,97%. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, houve queda de 18,02%. O resultado acumulado de Janeiro até este mês apresentou queda de 18,69% em relação ao mesmo período do ano passado.
O número de funcionários nas indústrias de materiais básicos apresentou pequena queda, de 0,84% em relação ao mesmo mês do ano passado. Na comparação com o mês anterior, apresentou queda de 1,02%.
ACABAMENTO
Já o faturamento deflacionado das vendas internas dos materiais de acabamento apresentou crescimento de 1,90% em relação a abril. No resultado acumulado nos últimos 12 meses, houve queda de 3,68%. Na comparação com o resultado de maio do ano passado, houve queda de 8,22%. O resultado acumulado de janeiro a maio deste ano, apresentou queda de 10,35%.
ANÁLISE ANUAL
Nos primeiros cinco meses deste ano de 2009, o faturamento deflacionado acumulado das vendas internas de materiais de construção apresentou queda de 16,10% em relação ao mesmo período de 2008. A previsão de desempenho das vendas da indústria de materiais no ano de 2009 aponta para um crescimento de 3% em relação ao faturamento realizado em 2008, pois há expectativas de que o 2º semestre deste ano apresente resultados bem superiores aos atingidos até este mês de maio.
A variação do faturamento deflacionado das vendas internas dos materiais de construção em relação ao mesmo mês do ano anterior, apresentou nova queda. Apesar de já se completarem sete meses com quedas consecutivas na série de dados, as expectativas do setor são otimistas para os próximos meses, considerando o aumento de demanda esperada para segundo semestre.
Publicado em 03 de agosto de 2009 por Equipe ConstrucaoTotal
 
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